Modas, calos e cetins: os sapatos como símbolos distintivos no Rio de Janeiro do século XIX.
How to quote: BARBOSA SOARES, Cecília Elisabeth; BON VELOZO, Olga Carolina. Modas, calos e cetins: os sapatos como símbolos distintivos no Rio de Janeiro do século XIX. Diálogo com a Economia Criativa, Rio de Janeiro, v. 5, no. 13, p.104-123, jan./abr. 2020.
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Abstract
The nineteenth century was a period rich in social, economic, and political changes in both Brazil and the world. During its course, institutions and social norms inherited from the Ancien Régime faced the rise of values characteristic of the Modern Age, such as individuality, freedom, and citizenship. Based on the case of shoes sold and worn in Rio de Janeiro, this paper explores the different negotiations and conflicts between traditional and modern values, including the position of “colony” and a local conception of “civilization.” The period covered by this article consists mainly of the arrival of the Portuguese Court in 1808 and the end of the century, with secondary data being used as the main source for analysis. It is concluded, therefore, that shoes illustrate and narrate perspectives on important issues of the time—like social position and hierarchy, and the distinction between “routine” and “occasion,” as well as trade and work structure (in the case of cobblers). Shoe use is thus seen to be part of the cultural network proper to Rio de Janeiro and to serve as a mediator between public and private spaces. These data shed light on the existing tensions of a society eager to distinguish itself with standards of civilization well founded in a European perspective, while facing the marks of slavery. Click to read the whole text.
Resumo
O século XIX foi rico em mudanças sociais, econômicas e políticas no Brasil e no mundo. Ao longo desses cem anos, instituições e normas sociais herdeiras do Antigo Regime se depararam com a ascensão de valores característicos da Idade Moderna, como individualidade, liberdade e cidadania. O presente artigo explora, a partir do caso dos sapatos comercializados e utilizados no Rio de Janeiro, as diferentes negociações e conflitos entre os valores tradicionais e modernos, incluindo a posição de “colônia” e uma concepção local de “civilização”. O período abarcado pelo trabalho consiste majoritariamente na chegada da Corte portuguesa, em 1808, e no final do século. Utilizaram-se dados secundários como principal fonte de análise. Conclui-se que os calçados ilustram e narram perspectivas sobre questões importantes da época, como posição social e hierarquia, distinção entre “rotina” e “ocasião”, estrutura comercial e de trabalho (no caso dos sapateiros). Há, ainda, indícios de seu uso numa trama cultural própria ao Rio de Janeiro, servindo de mediador entre espaços públicos e privados, além de colocar luz à tensão existente em uma sociedade que procura se distinguir sob moldes civilizatórios fundados sobretudo em uma perspectiva europeia, ao mesmo tempo em que se depara com as marcas da escravidão. Clique para ler o texto na íntegra.